Anseios da Alma

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Esteban, o motorista 25/09/2009

Esteban. Motorista que gentilmente me conduziu nas poucas horas livres que tive na viagem de dois dias à Cidade do Panamá, em agosto. Motorista, guia turístico e professor de História. Sabia absolutamente tudo sobre a trajetória do povo panamenho, desde o descobrimento do istmo por Rodrigo de Bastidas, em 1501, seguido de “Cristóbal Colón”, em 1502, passando pelas invasões dos piratas no século 17, até a ocupação norte-americana, que acabou em 2000. Eu não poderia ter tido um cicerone melhor do que ele. Mostrou-me o Canal, as ruínas de Casco Antiguo e outros pontos da cidade, incluindo detalhes e curiosidades, mostrando os melhores ângulos para fotos, e sacando, ele próprio, fotografias. Na parada para o almoço, que ele recusou, justificando tomar diariamente um café-da-manhã reforçado, com carne de porco, que ele mesmo preparava, conversamos sobre amenidades: futebol brasileiro, culinária panamenha, carros etc. Até que entrou no mercadinho onde estávamos uma família, com duas crianças. Ele me perguntou se eu tinha niños. Respondi que ainda não e devolvi a pergunta. Ele fez uma longa pausa, daquelas bem constrangedoras. Na sequência, uma negativa, que pelo tempo que demorou a acontecer, precisava ser explicada. Esteban, então, abriu seu coração e, em poucas palavras, contou a sua história. Teve uma niña. Com três aninhos, oito anos antes, sofreu um terrível acidente, que além da menina levou a mãe, sua esposa. Por isso ele próprio fazia seu café. Era “sozinho”. E Esteban ainda não se conformara. Eu o poupei de uma questão que permanece na minha mente: estaria Esteban na direção? Tentei levantar o astral que pairou em nossa mesa, dizendo que ele era jovem e teria uma nova família. E confesso que fiquei comovida por alguém que me conhecia há poucas horas ter tido tamanha confiança.

 

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Macarrão chinês 23/09/2009

Filed under: Uncategorized — Karolina Gutiez @ 13:05
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Já que a última parada foi na Liberdade, vale a dica de um restaurante chinês: Rong He (Rua da Glória, 622). A comida é muito gostosa, bem feitinha e picante. Mas o que justifica mesmo a visita é ver como os cozinheiros fazem o macarrão chinês. Há uma vitrine na cozinha, onde todos os clientes, inevitavelmente, se postam para assistir a um show de técnica. Não dá para comer antes de prestigiar o “espetáculo”. O mais engraçado é que o mestre-cuca não esboça entusiasmo algum. Já está muito habituado… Assistam!

 

 

A colorida terapia das orquídeas 21/09/2009

Filed under: Uncategorized — Karolina Gutiez @ 21:18
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Domingo visitei a 82ª Exposição de Orquídeas, na Liberdade, bairro japonês de São Paulo. É um escândalo. Impressionante como absolutamente todos os tons de cores que conhecemos podem ser encontrados na natureza. E os formatos que uma orquídea pode ter, dependendo da espécie? Algumas, se eu visse fora da exposição, jamais diria que são orquídeas. A que mais me chamou a atenção foi uma espécie mexicana (não sei o nome), com flores minúsculas que formam um bastão rosa. A primeira florada acontece apenas depois de sete anos de cultivo. Sete! Uma outra que achei interessente tem normalmente uma única flor. Quem gosta de orquídeas precisa de muita paciência, mas essas duas requerem paciência em dobro. Deve ser um belo exercício. Por fim, adorei uma branquinha, que parece ter levado uma pincelada de tinta, bem no meio. O pintor, inexperiente, deixou um pouco de tinta escorrer… A visita foi uma bela maneira de celebrar a chegada da primavera.

 

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Valsa Made in France 18/09/2009

Filed under: Uncategorized — Karolina Gutiez @ 12:56
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Eis que ontem, encontro na cestinha da minha bice, que fica estacionada na garagem do condomínio onde moro, um LP, 78 rotações. Valse, de Renée Lamy, com direção de orquestra de Paul Bomneau – Made in France. O disco é lindo, pesado, mas está bem danificado. Não pude testar, pois não tenho vitrola, mas imagino que não deva tocar mais. Virou objeto de decoração na minha casa. Tudo bem que a minha “magrela” anda um pouco encostada. Mesmo assim me pergunto: Por que alguém deixou um LP na cestinha da minha bicicleta?

a) O dono do disco costuma ouvir LPs quando está pedalando, sobretudo de valsas. Tem, inclusive, uma vitrola acoplada à sua bike e imaginou que eu compartilho da mesma prática.

b) O dono do disco pensa que levo na minha bicicleta um cesto de lixo e que o deixo à disposição dos moradores para descartarem o que não lhes serve mais. Quando vou pedalar, aproveito para fazer esse serviço de utilidade para o edifício.

c) Ele (ou ela. Quem me garante que é um homem?) é um perfeito idiota.

O que vocês acham? Se houver uma próxima vez, que deixem um buquê de flores do campo. Será bem mais simpático!

 

Foto de Marko Ferreira

 

Cosmópolis 16/09/2009

Filed under: Uncategorized — Karolina Gutiez @ 13:18
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Um negro de alma nipônica, vencedor de dois títulos de karaokê japonês. Um italiano, que atrás do balcão de uma loja de ferramentas faz poesias. Um nigeriano, “filho” de Ogum, casado com uma médica, filha de lituanos. Uma portuguesa, que com sucata cria peças para vender numa feira de antiguidades. Um descendente de sírios, que cresceu vendo o pai negociar tecidos e hoje “embrulha” clientes até falando coreano. Um egípcio, filho de mãe judia e pai muçulmano, casado com uma japonesa, que é um dos maiores vendedores de kipá de sua cidade. Uma boliviana, que mesmo longe de casa, ainda tem o prazer de participar de um legítimo carnaval boliviano. Uma professora coreana, que ensina o idioma de origem para crianças fora da Coreia.

O que essas pessoas têm em comum? Todas elas vivem em São Paulo. E amam a cidade que os acolheu, os deu trabalho e permite que vivam, juntos, pacificamente. É o que retrata, com genialidade e algum suspense,  o documentário Cosmópolis (2007/Camilo Tavares, Otávio Cury e Cói Belluzzo). O filme mostra o crescimento da cidade, muito por conta do suor desses imigrantes, que incluem ainda os brasileiros vindos de outros cantos. Dá um certo orgulho ouvir, por exemplo, a senhora portuguesa dizendo, com pesar: “Eu poderia ter nascido aqui”.

 

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Arte para todos os gostos 14/09/2009

Filed under: Uncategorized — Karolina Gutiez @ 17:44
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Sábado fui à exposição Matisse Hoje, na Pinacoteca. Boa, mas restrita. Os quadros que vieram são lindos, mas a maioria da mostra é composta de estudos. Decepciona um pouco. O que me deixou feliz, mesmo, foi ver na lojinha do museu o trabalho de um grande artista, ainda pouco reconhecido – Francisco Ferreira. Ele faz caixas de todos os tamanhos e formatos, que trazem na tampa reproduções de obras de arte, museus, capas de livros ou revistas antigas, ícones, tudo em alto-relevo. A que vocês veem é do Museu do Ipiranga!

 

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Filmes que eu adoro – parte um 11/09/2009

Os filmes não estão em ordem de preferência e não significa que são os “top ten” (nada daquelas listas de dez filmes, músicas ou livros preferidos). Simplesmente são filmes um tanto alternativos que gosto muito e que gostaria de compartilhar. Boa sessão!

 

Ninguém Pode Saber (2004/Japão/Hirokazu Koreeda) - filme japonês que ou você ama, ou detesta. Afinal, o cinema oriental não é para todos. A riqueza do filme é muito sutil, assim como a cultura que ele retrata. Uma mãe abandona os quatro filhos – que ela teve com pais diferentes – no apartamento em que vivem, e deixa para o mais velho, de 12 anos,  a responsabilidade de criá-los. Ela não avisa que vai embora e eles se dão conta aos poucos de que ficaram órfãos. Mesmo com a comida chegando ao fim, o corte da água, da luz, a impossibilidade de ir à escola e, principalmente, a falta da mãe, as crianças não perdem a alegria, o cuidado mútuo e os valores que aprenderam. Permanecem unidos e conseguem se divertir com coisas pequenas. Não se revoltam nem sentem raiva da mãe. Ninguém pode saber amolece até os mais durões, ainda mais quando se sabe que é uma história real.

 

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As Chaves de Casa (2004/Itália/Gianni Amelio) – Um pai, que rejeitou o filho no nascimento, por este ter ‘provocado’ a morte da mãe, tem a chance de se aproximar quando o menino está com 15 anos, durante a viagem anual que o jovem faz para Berlim, para dar continuidade à terapia que visa amenizar as sequelas físicas e mentais decorrentes do parto difícil. O ator que interpreta o adolescente não simula as dificuldades, ele próprio é deficiente. O encontro mostra que apesar dos problemas que o filho enfrenta, quem precisa de ajuda mesmo é o pai, que se dá conta do tempo perdido e das oportunidades que ele disperdiçou de estar ao lado de um garoto fascinante, inteligente e engraçado. Ambos precisam um do outro, mas o filho tem mais a oferecer e a ensinar e, mesmo com a ausência que o pai lhe impôs, está disposto a fazê-lo.

 

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Sideways (2004/Estados Unidos/Alexander Payne) – Vinho, Califórnia, bons amigos, paisagens de tirar o fôlego, romance e algumas loucuras. Esses são os ingredientes que fazem de Sideways um filme delicioso. Um amigo que aprecia vinhos e acumula algumas frustrações oferece ao outro, de quem será padrinho de casamento, uma viagem pelas vinícolas de Santa Bárbara como despedida de solteiro. O roteiro seria perfeito se o noivo não estivesse interessado em degustar outras coisas além de bons vinhos.  Duas mulheres, também apreciadoras da bebida, cruzam o caminho dos dois. A partir daí, êxtase, inebriamento e, claro, ressaca!

 

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Tudo sobre Minha Mãe (1999/Espanha/Pedro Almodóvar) - Uma mãe que acaba de perder o único filho, aos 18 anos, fruto de um romance com um travesti, volta para Barcelona para dar a notícia do falecimento ao pai. Na busca, se torna amiga de um outro travesti, de uma talentosa atriz de teatro, de quem seu filho era fã, e de uma jovem freira que cometeu o mesmo engano e, assim como ela, se deixou seduzir e engravidar pela curiosa figura, que apesar do caráter duvidoso, deu a essas mulheres a chance de viver experiências das quais elas nunca abririam mão. Seria bizarro se não fosse Almodóvar.

 

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Bem me quer, Mal me quer (2002/França/Laetia Colombani) – Uma jovem artista plástica, obsecada por um médico casado, que não retribui seu amor, decide ir às últimas consequências para ficar com ele. Dito assim, parece um filme de suspense e aí é que está a graça da produção. Trata-se de um filme leve, divertido, quase uma comédia romântica. Totalmente imprevisível!

 

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Sob o Sol da Toscana (2003/Estados Unidos/Audrey Wells) – Se toda separação conjugal terminasse com a aquisição de uma chácara na região da Toscana, terapeutas e advogados perderiam muito trabalho. É assim que a protagonista, uma escritora, recomeça, após o divórcio. Curioso ver que algumas sinopses colocam o filme na categoria Drama. Que drama pode haver em recomeçar num lugar mágico, onde se sente prazer nas coisas mais simples da vida, como beber o vinho que se produz em casa, comer alimentos frescos, vindos da horta no quintal, passear entre campos floridos e reunir os amigos ao redor da mesa?

 

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Qualquer dia desses volto com a parte dois, apesar de achar que são poucas as sequências de filmes que conseguem superar o primeiro!

 

“Cada uno da lo que recibe” 03/09/2009

Jorge Drexler ficou famoso depois de protagonizar um episódio na cerimônia do Oscar, quatro anos atrás. A música que compôs para o filme Diários de Motocicleta, de Walter Salles,  concorria à estatueta na categoria Melhor Canção, mas por não ser conhecido, quem a interpretou foi o ator Antonio Bandeiras. Ele venceu e em seu discurso não disse nada. Usou os 30 segundos apenas para cantar. O uruguaio, que ama o Brasil e já fez alguns shows por aqui, tem um trabalho extraordinário. Uma de suas canções, desde que a ouvi pela primeira vez, insiste em ficar no topo das minhas preferidas e ainda provoca arrepios, principalmente na parte em que ele fala da nossa maravilhosa ‘Salvador, de Bahia’.

 

 

 
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