Anseios da Alma

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Ambulantes de praia 19/01/2011

 

Adoro as frases proferidas pelos vendedores ambulantes que ganham a vida no litoral brasileiro. É impossível não prestar atenção e cair na gargalhada com as tiradas desses profissionais informais. Eu já estava decidida a escrever um post sobre isso quando li no caderno Aliás, do Estadão de domingo, entre as frases da semana, o que os argentinos andam gritando, com sotaque portenho, nas praias de Búzios para conseguir atrair a clientela: “Sanduije natural. Pollo, atum, queso”.

Até nisso, nós, brasileiros, somos melhores. Seis anos atrás, quando viajei com Léo para Jericoacoara, Ceará, um comerciante de óculos de sol, aqueles bem espelhados, passava carregando seu painel numa mão e um espelhinho com moldura laranja na outra, se esgoelando: “Quem tiver uma foto da sogra na carteira não paga”. Genial! Lá em Jeri, contudo, corta o coração ver crianças que mal sabem falar, vendendo os pastéis de arraia que as mães preparam. E os gringos só faltam chutar os coitadinhos. Não dão a mínima. Léo declarou, imediatamente, que precisava de uma foto da minha mãe a partir de então.

No verão seguinte, fomos para a belíssima Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro. Chegamos à cidade na hora do almoço, e corremos para aproveitar a tarde na praia. Não tínhamos interagido, ainda, com nenhum carioca. De repente, passa aos berros, uma mulher vendendo seus quitutes: “Oh o cuxxxxxcuxxxxxx, oh o cuxxxxxcuxxxxxx (cuscuz)”. Sim, estávamos no Rio. Quando tem cuscuz lá em casa, é inevitável anunciar como a ambulante.

Nesse verão, nossa parada foi Ilhabela, litoral norte paulista. Na praia do Curral, viramos clientes do “shop do Seu Zé”, como ele batizou a arara que carregava no ombro com saídas de praia, para justificar os preços altos. Quando comecei a negociar o valor da minha compra, ele passou a gritar: “Ô veio doido. Ô veio doido por dinheiro”. Contou que era de Sergipe, e que ‘ia se embora’, porque aquela vida não era pra ele, não. Tava cansado. Ele preferia vender queijo coalho, mas tomaram sua licença. E lá vinha mais um grito: “Ô veio doido”! Abafado pelo anúncio de um antigo concorrente de seu Zé: “Olha o queijo do Guerreiro. O queijo é de graça hoje. Só paga para assar”.

 

Tatoos e Amies 03/01/2010

Filed under: Uncategorized — Karolina Gutiez @ 17:54
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Acabamos de voltar de Búzios. Praias lindas e lugares charmosos fazem da península um destino muito especial. Pequena, aconchegante, mas muito cosmopolita. Ouve-se tudo que é língua por lá. O que nos chamou muito a atenção, contudo, foram duas “tribos” muito presentes nas areias buzianas: a dos tatuados e a das Amies. Tatuados há por toda parte. Eu mesma sou uma. Discreta, naturalmente. O que causou espanto foram as tatuagens, como posso dizer… bizarras. Não, bizzarro é pouco. Por que algém tatua “Eu amo a minha família” em fonte tamanho 24 nas costas? Vimos de tudo. Impossível lembrar todas, mas a mais constrangedora, certamente, foi uma Nossa Senhora Aparecida bem grandinha nas costas de uma moça. Acho que não há ateu nesse mundo que não daria uma ‘bambeada’ num momento mais íntimo com essa devota. Cada coisa em seu lugar, não, minha gente?

Passemos às Amies. Sim, me refiro à Amy Winehouse. Pois eram hordas de meninas vestidas como a inglesa. Minissaia cintura bem alta, blusa tomara que caia, colares de pérolas e saltos altíssimos… em plena Rua das Pedras, que não tem esse nome à toa. Se pelo menos usassem aquele cabelão… Seria bem mais divertido. Andavam em bandos, todas iguais. Mas curiosamente, adivinhem, não eram tatuadas.

A foto abaixo é de uma dessas tatuagens nada a ver. É uma vingancinha, pois o sujeito fotografado jogou tanta bituca de cigarro numa praia maravilhosa, que esse foi o jeito que eu encontrei de puní-lo, ainda que ele nem sonhe!

 

 
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