Foi em 2006 a minha primeira e única oportunidade (aproveitada) de ir a um show de Chico Buarque. Quando eu era adolescente, minha mãe me convidou para acompanhá-la em uma apresentação dele e eu, boba, como todos os adolescentes, recusei. Mal sabia naquela época que um dia me apaixonaria por sua música e sua pessoa. Mas a chance chegou, com a apresentação do álbum Carioca, sua volta aos palcos depois de sete anos. Compramos os ingressos no primeiro dia de vendas e eu quase os guardei em um cofre, precaução que não tomei por não ter cofre em casa. Como nossos lugares eram na primeiríssima fileira, um pouco na lateral, é verdade, comecei a acalentar a intenção de, pelo menos, tocar em suas mãos. Parecia tão inevitável que isso acontecesse, que comecei a ter certeza de que se tornaria realidade.
O dia 09 de setembro chegou e lá estávamos nós: eu, Léo, um amigo que à época estava solteiro e uma garota, amiga de uma amiga, que encontramos na última hora para acompanhá-lo, já que ele havia comprado dois ingressos. O show foi muito especial, superou as expectativas e emocionou bastante. Chico estava lindo, com um suéter azul dégradé. Um charme! Fez três bis. A cada um, eu tentava permanecer em pé, mas os seguranças não permitiam. Até que na sua terceira volta ao palco, nos aproximamos, dessa vez sem impedimentos. Chico entoou João e Maria, logo acompanhado pelo público, já de pé. Eu e Léo posicionados bem à frente do microfone, vendo Chico por um ângulo inebriante.
A música terminou. Ele saiu de trás do microfone. Eu estiquei o braço. Ele caminhou na minha direção. Meus olhos não piscavam, já certos do que presenciariam. Ele deu três tapinhas na minha mão, como que comemorando o trabalho cumprido. As lágrimas tomaram conta. Todos os personagens seguindo o roteiro à risca. Menos a máquina fotográfica, na mão de Léo, que não funcionou. E nem precisou, pois entre os momentos inesquecíveis da minha vida, está este, certamente!

