Anseios da Alma

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Coisa de criança? 17/05/2010

Eu e Léo começamos a colecionar as figurinhas para o álbum da Copa do Mundo desde o lançamento, em abril. Não foi influência da febre retratada depois em jornais de todo o Brasil, principalmente de São Paulo. Sem querer, estávamos fazendo parte desta vibe! E curtindo muito. Trocas no trabalho (durante o expediente, eu confesso), com os garotinhos do condomínio onde moramos, nas festas de aniversário etc. Nos dias em que as trocas eram bem sucedidas, ou em que comprávamos pacotinhos na banca de jornal, era o maior ritual lá em casa. Nos dividíamos: Léo marcava as conquistas na tabela de controle e descolava o papel de trás e eu colava no álbum. No começo ele brigava comigo, por colar um pouquinho torto. Depois desistiu de falar. Aí folheávamos, procurando curiosidades: o mais velho, o mais novo, o mais esquisito, um que nasceu no mesmo dia que eu; e analisando nossos primeiros adversários.

No sábado retrasado fomos ao Pacaembu, ponto de encontro semanal para trocas, tanto dentro do Museu do Futebol, quanto na banca de jornal da Praça Charles Miller, onde ficamos. Chegamos lá em busca de mais de 70 figurinhas. Passamos cerca de duas horas, trocando com crianças, idosos, casais, jovens, todo tipo de perfil. Demos entrevista para um correspondente de um jornal de Boston, no mínimo incrédulo diante do escambo generalizado. Duvido que em algum outro lugar do mundo isso ocorra.

Entre tantos pais e mães e seus filhos, que se divertiam muito, me chamou a atenção um menino de uns dez anos, com um bolo de figurinhas exageradamente grande, todo bagunçado, fora de ordem (sim, há toda uma organização, fundamental para garantir a produtividade das trocas). Parecia meio perdido, nós que o abordamos. Léo começou a arrumar as figurinhas dele, que nem sabia direito quais ainda precisava para completar seu álbum. Perguntei com quem ele estava, pois parecia desacompanhado, ao que ele apontou um carro. O pai não se deu nem ao trabalho de desligar o motor, nem estacionou. Deve ter dado alguns minutos para o menino fazer sua troca, sem um pingo de paciência. Pela quantidade de figurinhas que ele tinha, tive a impressão de que o menino podia comprar quantos pacotinhos quisesse. Mas isso era tão insignificante. Era nada perto daquele abandono num momento tão pai e filho, que deveria ser prazeroso para ambos.

Bom, conseguimos completar o nosso álbum. Agora dá um vazio…

 

 

Paixão mundial 16/01/2010

Filed under: Uncategorized — Karolina Gutiez @ 14:09
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Ontem, fomos visitar o Museu do Futebol, no Pacaembu, para começar o ano já no clima da Copa do Mundo. É demais!!! Merece um dia inteiro, para dar tempo de ver todos os detalhes. Logo no início da visita, uma sala com fotos de “peladas” ao redor do mundo, nos campinhos mais improváveis: uma piscina vazia, com um restinho de água, em Bagdá; um monte de gelo na Antártida; uma viela bem estreita em Tunis etc. Em todos eles, meninos, homens e mulheres (por que não?) correndo atrás da bola, que nem sempre é uma bola. Na sequencia, depoimentos de personalidades brasileiras, relatanto com muita emoção a jogada que mais marcou a sua vida. Nessa mesma sala, estações de rádio, com várias opções de locutores esportivos clássicos narrando um gol. Ao sair desse espaço, entramos num ambiente completamente escuro, que parece estar exatamente sob as arquibancadas do estádio, com telões que reproduzem as torcidas e os seus gritos de guerra, em volume máximo.

Uma das salas mais legais é a que conta a história das Copas, com fotos impactantes do que acontecia no mundo e no Brasil em cada ano da disputa mundial. Em todos os espaços, os craques da bola, principalmente os brasileiros, estão presentes, de maneira bem interativa. Há curiosidades, cinema 3D, chute ao gol, aula de História sobre os principais brasileiros do século 20 e muito mais! Vale cada segundo.

O museu não estava tão cheio, mas entre os visitantes, me chamou muito a atenção um cara com suas duas filhinhas, que tinham entre três e cinco anos, todos devidamente uniformizados com a camisa do Corinthians. Ele explicava para elas tudo o que havia no museu, com a ênfase que os fatos mais marcantes pediam. Fiquei imaginando a pequena decepção que ele teve ao saber que teria uma filha e depois outra. É claro que ele sonhava com ao menos um moleque para transmitir o amor pelo esporte e pelo Timão. Mas na impossibilidade de reverter a situação, não desistiu de ensinar a paixão pelo futebol, e fez das duas princesinhas torcedoras apaixonadas.

 

 
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