Um tempo desses, faz uns dois anos, tive um dos melhores sonhos da minha vida. De um realismo impressionante, me levou para um tempo em que eu nem era nascida, para um lugar que não existe mais, cheio de pessoas que já se foram. Sonhei que estava no lendário bar Zicartola. Reduto de sambistas no Rio de Janeiro de 1963/64, o nome não deixa dúvidas: os proprietários eram D. Zica e o marido Cartola. Ele comandava as rodas de samba e choro; ela, a cozinha. E eles estavam no sonho! Tocava um samba daqueles, que enchem os olhos da gente de lágrima, Cartola cantando e tocando sua caixinha de fósforos, a casa cheia e mais gente chegando, inclusive Paulinho (da Viola) e Chico. A alegria de estar naquele ambiente não se descreve. É maior que tudo. Alegria que eu revivo cada vez que recordo.
