Anseios da Alma

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San Francisco: a cidade de todos 17/08/2010

Dois anos atrás, passei um mês estudando inglês na simpática San Francisco. Identifiquei-me muito com a cidade e a sua tolerância e respeito com as diferenças. Essas quatro semanas foram tempo suficiente para conhecer muito bem não só o município como também a região. Naqueles meses de julho e agosto, confesso que não via a hora de voltar, pois estava sozinha e sentia muita saudade, sobretudo nos primeiros três dias e na última semana. Mas hoje sinto um bocado de saudade é de lá e espero ter a chance de voltar, da próxima vez acompanhada.

Dos encantos da Bay Area, eu destaco a topografia, os inúmeros idiomas que se ouve diariamente, a convivência saudável entre os mais diferentes tipos que já vi, e o bom humor de todos que ali estão, seja de passagem, seja permanentemente.

A topografia, sim! Por mais que as pernas da gente não respondam no fim do dia, aquelas subidas e descidas dão muito charme a San Fran, como eu carinhosamente apelidei a cidade. Olhar para cima e ver um bondinho subindo ou descendo, cheio de turistas (olha lá as muitas línguas que falei), pra quem vive numa cidade como São Paulo, que não se permite esse tipo de bossa, é muito cativante. Eu fazia uso do bonde sempre que possível, mesmo nos dias mais frios (sim, esta é uma outra característica de SF: um frio danado em pleno verão californiano. Como disse o escritor e humorista Mark Twain, “o pior inverno que já passei foi um verão em SF”).

E as diferenças! Ah, as diferenças. SF acolhe como pouquíssimas cidades norte-americanas homeless de vários lugares. Ali eles encontram mais que abrigo. Encontram respeito. E também respeitam. Passei algumas vezes em frente a um local, que depois vim a descobrir ser o abrigo onde Will Smith e o seu filho passam algumas noites em À Procura da Felicidade. Nunca me senti ameaçada, apesar da mudança significativa no cenário. Além disso, SF foi o berço do movimento pelos direitos dos homossexuais. No Castro, bairro gay onde Harvey Milk, político e ativista homo viveu e conseguiu as primeiras vitórias para seus pares, me senti em casa, completamente à vontade. Recortes de jornais sobre suas importantes conquistas estão espalhados em diversos bares, ilustrando o gay pride que se sente por ali. No Haigh-Ashbury, o cruzamento mais hippie da história, brechós e feirinhas abrigam objetos muito inusitados, ícones do movimento dos anos 70, que hoje despertam interesse em gente pra lá de careta, como eu, que amei o lugar.

Isso pra citar apenas algumas das muitas tribos que vivem e convivem,  com muita leveza, bom humor e graça, entre músicos de rua e casas vitorianas, numa das cidades que carrego, pra sempre, no meu coração.

 

  

 

 

Breakfast at Tiffany´s 25/11/2009

Filed under: Uncategorized — Karolina Gutiez @ 14:21
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Existe uma aura em torno da joalheria americana Tiffany, criada em 1837. É a mais antiga ainda aberta nos dias de hoje e com o filme Breakfast at Tiffany´s (1961), com Audrey Hepburn no papel principal, traduzido no Brasil como Bonequinha de Luxo, a Tiffany virou templo sagrado da ourivesaria. A loja onde o filme foi rodado, na Quinta Avenida, em Nova York, é ponto turístico. Vive lotada. E o encantador é que os vendedores tratam todos os turistas como potenciais compradores: com atenção, simpatia e educação. É claro que as peças $$$$$$$$ ficam em outros andares da loja que não o térreo. Mas isso é um detalhe. Minha primeira visita à loja foi em San Francisco, na Union Square. Passava todos os dias em frente, a caminho da escola de inglês. Não tinha coragem de entrar, afinal, no Brasil, as lojas de grife intimidam um bocado. É ridículo. Um belo dia, no caminho de volta, carregando umas sacolinhas de plástico bem sem-vergonhas (além de ecologicamente incorretas), decidi romper a barreira. Dei o primeiro passo e o segurança, com um enorme sorriso e um gentil boa tarde, prontamente abriu a porta para eu passar. Os olhos começaram a brilhar, refletindo as vitrines. Um sonho! Uma pena que aqui e nos países como o nosso, ainda em desenvolvimento, haja uma frescura exagerada em torno do mercado de luxo. Os vendedores agem como se fossem seres superiores que pertencem exclusivamente aquele universo, quando muitos, na verdade, não ganham para pagar um mero souvenir que vendem.

 

 
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