Anseios da Alma

Just another WordPress.com weblog

To beef or not to beef 29/10/2011

Filed under: Uncategorized — Karolina Gutiez @ 16:55
Tags: , , ,

Já falei sobre Dario Cecchini no post anterior, mas ele merece um texto exclusivo. Não tínhamos ideia de quem era, tampouco de que uma cidade tão pequena como Panzano pudesse abrigar três restaurantes, além da macelleria, do açougueiro reconhecido por uns e, certamente, odiado por outros, em todo o mundo.

Mas não se coloca os pés em Panzano sem ouvir falar de Dario. Ele eh o filho mais ilustre da cidade e vem de uma família que há 250 anos pratica a arte de um bom corte bovino. Cecchini, que estava em Sao Paulo na semana passada para um evento gastronômico, além de dominar o ofício de açougueiro, eh produtor, o que faz toda a diferença.

Recomendados pela dona do local onde ficamos hospedados, uma vegetariana não radical, fomos jantar na Officina della Bisteca. A entrada acontece por uma passagem secreta pelo açougue, que ostenta na porta uma rosa vermelha em memória dela, a bisteca fiorentina, e onde os participantes do jantar ficam petiscando, para abrir o apetite.

Convidados a subir para o restaurante, ocupamos, todos, uma grande mesa, o que nos permitiu conhecer os demais convivas. E então, começou o serviço: uma seqüência de tartar, costela e bistecas, cortadas a perfeição, jorrando sangue e desmanchando ao primeiro toque da faca.

Léo, que há 18 anos não comia carne (com raríssimas exceções), não deixou um único pedacinho no prato. E não titubeou na indagação do chef, ao apresentar a estrela da noite, a bisteca fiorentina: to beef or not to beef? To beef!

 

Isso é Toscana! 28/10/2011

Filed under: Uncategorized — Karolina Gutiez @ 18:46
Tags: , , ,

Nossa primeira manhã na Toscana, um domingo, 02 de outubro, caiu justamente num dia muito especial para a pequena Panzano in Chianti: o do grande mercado, como eles chamam a feira que acontece na primeira domenica do mês ao redor da praça. Vende-se de tudo, de roupas a queijo, de temperos frescos a artesanato, de artigos de couro a flores.

O sol brilhava e o céu estava azul, fazia calor, embora já estivéssemos nos primeiros dias do outono. Além da feira, uma prova de ciclismo, apenas com bicicletas antigas, agitava ainda mais a cidade. Alguns atletas adotaram também uniformes antigos de corrida, mesmo que não fossem as roupas mais confortáveis e frescas para pedalar pelas subidas e descidas da bela topografia da região.

Para animar os que se aventuraram na prova, sob o sol do meio-dia, o açougue Antica Macelleria Cecchini, de Dario Cecchini, figura conhecida mundialmente pela bisteca fiorentina que prepara, distribuía fatias generosas de salame, pão e azeite, azeitonas pretas curtidas na laranja e taças de vinho, oferecidas como água gelada, para ciclistas e espectadores.

O açougueiro não só garantiu o reforço alimentar de quem passava por ali, de bicicletta ou a pé, como fez questão de animar a festa com uma estrondosa corneta, que ele tocava a cada atleta que passava, acompanhado por nossa risada fácil, aplausos e torcida, tudo num volume bem elevado, porém bastante razoável para aquelas bandas da Itália.

Esse foi, sem planejar, um dos domingos mais especiais na minha vida, na vida de Léo. Mas pareceu rotina na vida dos moradores da inesquecível Panzano. Isso é Toscana!

 

 

Boemia à moda antiga 01/08/2011

Depois de uma ausência de quase cinco meses, período no qual deixei o blog de lado, retorno para escrever sobre um lugar bastante especial que conheci em Lima, no Peru, há quase um ano. Bem próximo do centro histórico, localizado a poucos metros do Palácio do Governo, fica o Bar Cordano. Adentrar o seu salão é uma viagem no tempo, mais especificamente para o início do século passado. O bar foi inaugurado em 1905, por imigrantes italianos, e durante décadas teve suas mesas disputadas por boêmios, políticos, burocratas e até presidentes peruanos.

Hoje, bem menos frequentado, ainda mantém no cardápio as especialidades que tanto conquistaram clientes nas décadas passadas. Uma delas é o sanduíche de pernil, fatiado cuidadosamente numa máquina antiga de cortar frios. A minha dieta foi para o espaço quando vi essa delícia na vitrine sobre o balcão. Não me arrependo!

Outra especialidade do Cordano é a gentileza de seus garçons. Muito solícitos e curiosos ao verem que éramos de fora. Um pouco galanteadores também, é verdade. Ao perceber nosso interesse sobre o bar, contavam orgulhosos e entusiasmados histórias dos áureos tempos, em que muitos deles já trabalhavam lá.

Para acompanhar o lanche e completar a viagem, uma Cusqueña geladíssima!

 

Brilho no olhar 25/03/2011

Quase um ano atrás, estive em uma conferência de comunicação em Toronto que durou três dias. Já comentei rapidamente sobre isso, com enfoque na cidade, num post anterior. De todas as palestras as quais assisti, de profissionais de várias partes do mundo, a que mais me impressionou não falava sobre comunicação especificamente, embora este seja um tema que permeia praticamente tudo o que fazemos. A apresentação do jovem canadense Craig Kielburger até hoje é assunto de muitas conversas com amigos e familiares.

Co-fundador de uma instituição que luta pelos direitos das crianças no mundo, a Free the Children, Craig falou por mais de uma hora com plena desenvoltura sobre o tema de sua vida: crianças sem infância. O brilho nos olhos do rapaz, diante de uma plateia de centenas de pessoas, é algo raro no ambiente corporativo.

Ele começou sua apresentação relembrando seus 12 anos, quando, ao ver uma notícia no jornal sobre uma criança, de sua idade, que depois de anos de trabalho infantil havia sido assassinada, ele percebeu que nem todos os meninos e meninas ao redor do mundo tinham as mesmas condições que ele e seus amigos. Milhões, na sua descoberta, não iam à escola, tinham que trabalhar, não tinham o que comer, não brincavam, sofriam abusos.

Na sua inocência de menino, que estava chegando à adolescência, Craig decidiu fazer algo e no dia seguinte, pedindo permissão à professora, convocou os colegas de classe. Seis ou sete foram convencidos e desde então, hoje ele tem 28 anos, não pararam mais.

Craig contou que, por causa de sua iniciativa, teve a oportunidade de conhecer muitas personalidades mundiais. Nesse momento, no telão ao fundo do palco, começaram a ser projetadas imagens do jovem ao lado de figuras como Bill Clinton, Nelson Mandela, Kofi Anan. Esses encontros possibilitaram que a sua instituição ficasse conhecida e reunisse investimentos para construir escolas, levar água e tratamento médico a comunidades pobres, oferecer alimento para desnutridos.

No entanto, de todas essas pessoas, Craig garante que a que mais o influenciou foi uma simples professora. Quando se conheceram, ela relatou brevemente como sua vida havia mudado de rumo. Um dia, seguindo para o trabalho, viu uma senhora doente, na rua, precisando de socorro. Passou reto e foi dar aula. Mas não conseguiu esquecer aquela mulher necessitada e o fato de não ter feito nada a respeito. Não conseguiu dormir. No dia seguinte, fazendo o mesmo trajeto, deparou com a senhora, ainda em dificuldade. Decidiu, então, colocá-la dentro de um táxi e seguir para o hospital. Naquele momento, seu destino foi traçado e ela nunca mais deixou de ajudar um próximo necessitado em sua vida. Quando Craig terminou de contar esta história, o telão projetou a imagem dele, menino, beijando a tal professora, ninguém menos que Madre Teresa de Calcutá.

O que Craig queria nos mostrar era a importância de acreditarmos naquilo que fazemos. Mais do que isso: precisamos encontrar um sentido para o nosso trabalho. Precisamos ter emoção no que realizamos. Nosso olhar precisa brilhar! Ao fim dessa palestra, Craig foi aplaudido de pé, por muito tempo, por uma plateia de comunicadores que só parou de bater palmas para enxugar suas lágrimas.

 

Ambulantes de praia 19/01/2011

 

Adoro as frases proferidas pelos vendedores ambulantes que ganham a vida no litoral brasileiro. É impossível não prestar atenção e cair na gargalhada com as tiradas desses profissionais informais. Eu já estava decidida a escrever um post sobre isso quando li no caderno Aliás, do Estadão de domingo, entre as frases da semana, o que os argentinos andam gritando, com sotaque portenho, nas praias de Búzios para conseguir atrair a clientela: “Sanduije natural. Pollo, atum, queso”.

Até nisso, nós, brasileiros, somos melhores. Seis anos atrás, quando viajei com Léo para Jericoacoara, Ceará, um comerciante de óculos de sol, aqueles bem espelhados, passava carregando seu painel numa mão e um espelhinho com moldura laranja na outra, se esgoelando: “Quem tiver uma foto da sogra na carteira não paga”. Genial! Lá em Jeri, contudo, corta o coração ver crianças que mal sabem falar, vendendo os pastéis de arraia que as mães preparam. E os gringos só faltam chutar os coitadinhos. Não dão a mínima. Léo declarou, imediatamente, que precisava de uma foto da minha mãe a partir de então.

No verão seguinte, fomos para a belíssima Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro. Chegamos à cidade na hora do almoço, e corremos para aproveitar a tarde na praia. Não tínhamos interagido, ainda, com nenhum carioca. De repente, passa aos berros, uma mulher vendendo seus quitutes: “Oh o cuxxxxxcuxxxxxx, oh o cuxxxxxcuxxxxxx (cuscuz)”. Sim, estávamos no Rio. Quando tem cuscuz lá em casa, é inevitável anunciar como a ambulante.

Nesse verão, nossa parada foi Ilhabela, litoral norte paulista. Na praia do Curral, viramos clientes do “shop do Seu Zé”, como ele batizou a arara que carregava no ombro com saídas de praia, para justificar os preços altos. Quando comecei a negociar o valor da minha compra, ele passou a gritar: “Ô veio doido. Ô veio doido por dinheiro”. Contou que era de Sergipe, e que ‘ia se embora’, porque aquela vida não era pra ele, não. Tava cansado. Ele preferia vender queijo coalho, mas tomaram sua licença. E lá vinha mais um grito: “Ô veio doido”! Abafado pelo anúncio de um antigo concorrente de seu Zé: “Olha o queijo do Guerreiro. O queijo é de graça hoje. Só paga para assar”.

 

Os números de 2010 02/01/2011

Filed under: Uncategorized — Karolina Gutiez @ 13:57

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Mais fresco do que nunca.

Números apetitosos

Imagem de destaque

Um Boeing 747-400 transporta 416 passageiros. Este blog foi visitado cerca de 2,100 vezes em 2010. Ou seja, cerca de 5 747s cheios.

Em 2010, escreveu 19 novo artigo, aumentando o arquivo total do seu blog para 46 artigos. Fez upload de 70 imagens, ocupando um total de 45mb. Isso equivale a cerca de 1 imagens por semana.

O seu dia mais activo do ano foi 21 de agosto com 81 visitas. O artigo mais popular desse dia foi 1, 2, 3, testando!.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram mcolivieri.blogspot.com, vestigiosurbanos.blogspot.com, claudiolovato.wordpress.com, twitter.com e facebook.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por anseios da alma, modigliani, amadeo modigliani, modigliani obras e anseios da alma wordpress

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

1, 2, 3, testando! agosto, 2009
8 comentários

2

Cosmópolis setembro, 2009
5 comentários

3

1 aninho agosto, 2010
2 comentários

4

Tatoos e Amies janeiro, 2010
2 comentários

5

A colorida terapia das orquídeas setembro, 2009
1 comentário

 

´Serieeira´ 26/11/2010

 Sempre fui noveleira. Desde criança acompanhava as tramas, principalmente as das 8, quase que diariamente. Tenho as minhas preferidas, das quais hoje, vez ou outra, busco um capítulo no You Tube. De um ano e meio para cá, no entanto, deixei as novelas de lado. Não que eu tenha abandonando o hábito de acompanhar histórias de ficção. Passei a acompanhar as famosas séries de TV americanas, baixando seus episódios semanalmente na internet. Que variedade! A Globo, que é a melhor emissora da América Latina, com sua programação, jamais vai chegar aos pés das produções yankees.

As séries não são exatamente novidade para mim. Quando era mais nova acompanhava Will and Grace, a história de dois amigos, ele gay, ela uma decoradora ruiva-atrapalhada, e dois amigos seus, um gay-gay-gay e uma ricaça fútil. Alguns anos depois me rendi completamente a Sex and the City, que não cheguei a pegar na televisão e, sim, em DVD. As desventuras das quatro amigas em NY se tornariam hors concours para mim ao fim da primeira temporada. E olha que são seis, no total. Mas a série acabou, veio um vazio enorme e durante um bom tempo fiquei sem esse passatempo.

Até que uma amiga, essa sim profissional no ofício e no vício por séries, me apresentou novidades. Para a lacuna que as meninas de Sex haviam deixado, ela me ofereceu Desperate Housewives. Tratam-se de quatro amigas também, mas elas não são nada cosmopolitas. Vivem no subúrbio de Wisteria Lane. São, como o nome da série sugere, donas de casa; e desesperadas, porque são capazes de colocar em prática aqueles sentimentos mais obscuros que qualquer ser humano tem. A trama é bem dramática, mas também muito engraçada, e está em sua sétima temporada.

Aí abri a cabeça e comecei a gostar de enredos bem pouco verossímeis. Os vampiros de True Blood já são íntimos. Protagonistas de episódios de racismo, homossexualismo, assassinatos e fontes de sangue para viciar e levar humanos ao êxtase, eles fazem dessa uma das séries mais adultas e politicamente incorretas da TV americana. Já na abertura você está convencido a assistir. A trilha é o toque do meu celular.

Igualmente inverossímil, Fringe revela a existência de um universo paralelo, no qual as torres gêmeas continuam de pé, e coloca um cientista inteligente e perturbado na mesma medida, um jovem nascido em um mundo e criado em outro e uma bela agente do FBI para solucionar eventos estranhos, frutos do conflito entre as duas dimensões.

Na categoria “para morrer de rir”, minha eleita é a premiada Modern Family. Um casal de gays, pais de uma menininha vietnamita, um casal convencional, com três filhos adolescentes e conectados, e um homem mais velho, casado com uma jovem colombiana, mãe de um adolescente adoravelmente precoce. Todos, na verdade, são de uma mesma família, que lida com humor com as diferenças e as novidades do mundo de hoje.

De quebra, são um ótimo recurso para treinar o inglês! Tenho várias outras para começar a assistir, mas estou evitando, pois sei que se começar, alguns compromissos da agenda vão ficar prejudicados.

 

 
%d blogueiros gostam disto: